ESTRATÉGIA NACIONAL
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NATIONAL STRATEGY
FOR THE SOCIAL ECONOMY, A REAL NECESSITY |
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Num momento em que o mundo enfrenta desafios estruturais persistentes, importa refletir sobre
a necessidade de consolidar políticas públicas capazes de reforçar o papel estratégico da Economia Social em Portugal. A Economia Social tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante no contexto mundial, em particular no europeu, enquanto instrumento de coesão social e territorial, inovação social, criação de emprego e resposta às necessidades e aspirações da sociedade. Nos últimos anos, a União Europeia tem reforçado progressivamente o reconhecimento político deste setor, nomeadamente através do Plano de Ação para a Economia Social, publicado pela Comissão Europeia em 2021 e atualizado este ano, bem como através de diversos instrumentos de financiamento e apoio técnico destinados a apoiar os Estados-Membros no desenvolvimento de ecossistemas mais favoráveis à Economia Social.
É neste contexto que surge o projeto internacional “Apoiar o desenvolvimento da Economia Social como motor de crescimento”, desenvolvido no âmbito do Instrumento de Apoio Técnico (IAT) da Comissão Europeia, através da Reform and Investment Task Force – SG REFORM, em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). O projeto envolve Portugal, Croácia, França, Grécia e a região belga da Valónia, procurando apoiar o desenvolvimento de estratégias, políticas públicas e instrumentos de reforço da Economia Social nos diferentes contextos nacionais. No caso português, o projeto é desenvolvido numa articulação com a CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social e a Direção-Geral da Solidariedade e Segurança Social (DGSSS), tendo como objetivo central apoiar a preparação de uma futura Estratégia Nacional para a Economia Social. Esta estratégia pretende contribuir para o reforço estrutural do setor, promovendo maior reconhecimento institucional e coordenação entre atores. No âmbito deste processo, a CASES promoveu, a título complementar, uma consulta pública dirigida ao ecossistema da Economia Social[1], procurando recolher contributos sobre os principais desafios, necessidades, prioridades e oportunidades para o setor em Portugal. A auscultação decorreu entre outubro e novembro de 2025 e envolveu entidades da Economia Social, especialistas, representantes institucionais e cidadãos, constituindo um dos exercícios participativos mais abrangentes alguma vez realizados neste domínio em Portugal. A participação foi dominada por atores da própria Economia Social, abrangendo diferentes famílias institucionais, incluindo associações, cooperativas, fundações, misericórdias, mutualidades, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) ou equiparadas e estruturas representativas. Verificou-se uma forte presença de entidades com estatuto de IPSS, o que confere particular robustez às conclusões relacionadas com a área social e assistencial. Estes resultados, são igualmente um contributo fundamental para o relatório final da Estratégia Nacional para a Economia Social a ser preparado pela OCDE no âmbito do projeto IAT. O presente artigo procura apresentar, de forma sintética, os principais resultados desta consulta pública, refletindo simultaneamente sobre a necessidade de uma Estratégia Nacional para a Economia Social num contexto em que este setor se revela cada vez mais relevante. OS DESAFIOS E NECESSIDADES DO SETOR: UM NÚCLEO CRÍTICO INTERDEPENDENTE A consulta pública promovida pela CASES revelou bastante convergência relativamente às principais fragilidades estruturais do setor, permitindo identificar padrões claros quanto aos principais desafios e prioridades. A sustentabilidade financeira e os recursos humanos surgem claramente como o núcleo crítico das preocupações identificadas pelo setor. As entidades referem dificuldades associadas à dependência de financiamento público, desajustamento entre comparticipações e custos reais, atrasos nos pagamentos, excessiva dependência de projetos de curta duração e reduzida previsibilidade financeira, fatores que dificultam a capacidade de planeamento e investimento a médio prazo. Em paralelo, surge de forma transversal a dificuldade em recrutar e reter profissionais qualificados, associada a salários pouco competitivos, ausência de carreiras estruturadas, elevada rotatividade e pressão crescente sobre serviços de cuidado direto e apoio social, particularmente em territórios de baixa densidade. A estes fatores juntam-se outras fragilidades estruturais identificadas pelo setor, designadamente:
As necessidades identificadas alinham-se diretamente com estes desafios e apontam para a necessidade de mudanças estruturais e não apenas medidas pontuais. Entre as prioridades mais referidas encontram-se:
DA RESPOSTA SOCIAL TRADICIONAL AO LABORATÓRIO DE INOVAÇÃO A consulta evidencia igualmente uma distinção relevante entre áreas de impacto já consolidadas e áreas emergentes onde o setor identifica elevado potencial de crescimento e inovação. O impacto atual da Economia Social continua fortemente associado à ação social e inclusão, infância e famílias, envelhecimento e cuidados de longa duração, bem como saúde e continuidade de cuidados, refletindo o papel histórico destas entidades como estruturas de proximidade, frequentemente presentes em territórios ou domínios onde outros atores revelam respostas insuficientes. Todavia, existe igualmente um conjunto de áreas estratégicas emergentes que poderão assumir importância crescente nos próximos anos, nomeadamente:
Importa notar que estas áreas não são percecionadas como uma rutura com o papel tradicional da Economia Social, mas antes como uma evolução necessária das respostas existentes, exigindo maior capacidade de inovação, integração territorial e modernização organizacional.
PRIORIDADES ESTRATÉGICAS: FINANCIAMENTO, RECONHECIMENTO E CAPACITAÇÃO As respostas à consulta revelam igualmente forte convergência relativamente às prioridades que deveriam integrar uma futura Estratégia Nacional para a Economia Social. A dimensão mais destacada é a necessidade de melhorar o acesso ao financiamento, seguida do reforço do reconhecimento institucional do setor e da capacitação dos recursos humanos. Estes três eixos surgem claramente como pré-condições para a consolidação e modernização do ecossistema da Economia Social em Portugal. Em complemento, surgem ainda como prioridades relevantes:
A internacionalização e o acesso a mercados surgem também identificados como relevantes, embora subordinados a necessidades estruturais consideradas mais imediatas.
Um dos aspetos particularmente interessantes da consulta prende-se com a forte valorização atribuída pelo setor à necessidade de desenvolver um verdadeiro ecossistema integrado de capacitação. As respostas apontam não apenas para a necessidade de formação pontual, mas para a criação de estruturas permanentes de apoio técnico, modernização organizacional, desenvolvimento de competências, apoio à digitalização, financiamento orientado para sustentabilidade e melhoria do enquadramento institucional. COORDENAÇÃO, GOVERNAÇÃO E COMUNICAÇÃO No domínio da governação e coordenação, os contributos recolhidos revelam uma avaliação amplamente crítica relativamente aos mecanismos atualmente existentes, considerando-os insuficientemente operacionais e pouco influentes no desenho efetivo das políticas públicas para o setor. Os atores do setor apontam para a necessidade de uma arquitetura de governação multiactor mais estruturada, envolvendo:
Neste domínio são apontadas preocupações relevantes. O setor identifica como principal objetivo aumentar o conhecimento e valorização pública da Economia Social, ultrapassando narrativas excessivamente assistencialistas e reforçando a perceção do setor enquanto agente económico, social e territorial estratégico.
A sociedade em geral surge como público-alvo prioritário para campanhas de sensibilização, seguida de decisores políticos, administração pública, setor empresarial, investidores e jovens. A comunicação é essencial para aumentar a visibilidade, mas também deve ser encarada como mecanismo de influência política, mobilização de investimento, captação de talento e reforço da identidade coletiva do setor. A NECESSIDADE DE UMA ESTRATÉGIA NACIONAL PARA A ECONOMIA SOCIAL Os resultados desta consulta pública revelam um setor que, apesar da sua relevância histórica e institucional, continua a enfrentar desafios estruturais profundos. A sustentabilidade financeira, a valorização dos recursos humanos, a simplificação administrativa, a digitalização, a coordenação institucional e o reconhecimento público surgem como necessidades persistentes e interdependentes. Estes resultados reforçam a ideia de que a Economia Social não precisa apenas de medidas pontuais, mas de uma estratégia nacional coerente, estável e orientada para o médio e longo prazo. Portugal conheceu, sobretudo a partir de 2010, uma evolução muito significativa no reconhecimento institucional, legal e estatístico da Economia Social. A criação da CASES, foi o início de um percurso de afirmação deste setor. Com efeito, a CASES acompanhou marcos decisivos como a criação do Conselho Nacional para a Economia Social (CNES), da Lei de Bases da Economia Social e da Conta Satélite da Economia Social, entre outros, que foram fundamentais para a maior consolidação institucional do setor, para o seu reconhecimento enquanto realidade económica e social coesa e para a superação de desafios estruturais. No entanto, os contributos recolhidos demonstram que esse caminho permanece incompleto e que o reconhecimento alcançado não eliminou todas as fragilidades que continuam a limitar o potencial transformador do setor, revelando uma maior necessidade de consolidação. O setor continua a necessitar de uma verdadeira estratégia de alavancagem estrutural, capaz de criar condições sistémicas para o qualificar, financiar e reconhecer. Neste contexto, os resultados da consulta pública promovida pela CASES constituem não apenas um exercício participativo relevante, mas também uma base para a definição das componentes fundamentais para uma Estratégia Nacional para a Economia Social, capaz de responder aos desafios identificados e de reforçar a Economia Social enquanto setor estruturante do desenvolvimento económico e social em Portugal. Note-se que a necessidade de uma Estratégia não constitui uma especificidade portuguesa. Em vários países europeus e além Europa, a Economia Social tem vindo a assumir crescente centralidade nas agendas públicas, verificando-se o desenvolvimento de estratégias nacionais, planos de ação, mecanismos de financiamento especializados e políticas direcionadas para o setor. Esta evolução decorre do reconhecimento progressivo de que a Economia Social não representa um complemento residual do Estado ou do mercado, mas antes um pilar estratégico de coesão social, desenvolvimento territorial, inovação e resiliência económica e democrática. De facto, num mundo marcado por crescente instabilidade, desigualdades persistentes, pressões demográficas, e fragilização de vínculos comunitários, a Economia Social constitui não apenas um ator económico e social relevante, mas também um aliado fundamental na construção de soluções. Neste quadro, o seu reforço não deve ser entendido como uma opção acessória de política pública, mas como uma necessidade estrutural, coerente com o reconhecimento constitucional do setor cooperativo e social em Portugal e com a responsabilidade do Estado em criar condições diferenciadas para o seu desenvolvimento. Neste sentido, a ausência em Portugal de uma resposta pública clara e estruturada para este setor poderá limitar a capacidade de aproveitar plenamente o potencial transformador da Economia Social na resposta aos desafios económicos e sociais da atualidade, agravando simultaneamente as fragilidades identificadas pelos próprios atores do setor. As entidades da Economia Social continuarão, naturalmente, a existir e a responder às necessidades das comunidades, muitas vezes enfrentando muitas barreiras e fazendo muito com recursos escassos. Contudo, é na articulação entre estas entidades, a sociedade e os poderes públicos que tendem a nascer as respostas mais robustas, inovadoras e impactantes. Por isso, sem uma estrutura estável de fomento, acompanhamento, coordenação e interlocução com o setor, a Economia Social continuará a ocupar uma posição secundária na formulação de políticas públicas, desperdiçando-se oportunidades relevantes para reforçar a coesão social, territorial e económica do país. Neste contexto, não é possível deixar de refletir sobre a iminente extinção da CASES. Naturalmente, a DGSSS assegurará o desenvolvimento formal dos trabalhos em curso. Porém, num momento em que se encontra precisamente em construção uma futura Estratégia Nacional para a Economia Social, e considerando que o projeto internacional atualmente em desenvolvimento apenas terminará em 2027, o eventual desaparecimento da principal estrutura pública especificamente dedicada a este setor dificilmente deixará de levantar preocupações legítimas. A questão não reside apenas na continuidade administrativa de um projeto, mas no sinal político e institucional que esta decisão transmite. Ao longo das últimas décadas, Portugal construiu progressivamente um ecossistema institucional, legal e estatístico pioneiro no domínio da Economia Social, reconhecido internacionalmente e frequentemente apresentado como exemplo em diferentes fóruns europeus e internacionais. A CASES desempenhou um papel central nesse processo, funcionando como estrutura de articulação, capacitação, produção de conhecimento e proximidade ao setor. Ora, os resultados desta consulta pública demonstram precisamente que, apesar dos desenvolvimentos alcançados, muitas das fragilidades identificadas pelo setor permanecem estruturais: insuficiente coordenação, limitada valorização pública, dificuldades de capacitação, fragmentação institucional e fragilidade financeira persistente. Neste contexto, o enfraquecimento ou desaparecimento de estruturas públicas especificamente vocacionadas para a Economia Social corre o risco de agravar essas fragilidades e interromper um processo de consolidação que permanece incompleto. Acresce o risco de que o conhecimento produzido, os contributos recolhidos e o próprio esforço coletivo de co-construção de uma Estratégia Nacional acabem reduzidos a um exercício formal sem verdadeira tradução em políticas públicas estruturantes. E esse seria talvez o maior paradoxo: reconhecer a relevância estratégica da Economia Social num contexto global particularmente exigente, mas falhar na criação das condições necessárias para que esse potencial possa efetivamente ser mobilizado. Ignorar esse potencial poderá representar não apenas uma oportunidade perdida para o setor, mas também uma oportunidade perdida para o próprio país. 1. Relatório completo está disponível em: https://cases.pt/wp-content/uploads/2026/03/PT_CASES_Relatorio-Consulta-Publica.pdf
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At a time when the world faces persistent structural challenges, it is important to reflect on the need to consolidate public policies capable of strengthening the strategic role of the Social Economy in Portugal.
The Social Economy has increasingly assumed a more relevant role in the global context, particularly within Europe, as an instrument of social and territorial cohesion, social innovation, job creation and response to the needs and aspirations of society. In recent years, the European Union has progressively reinforced the political recognition of this sector, notably through the Social Economy Action Plan, published by the European Commission in 2021 and updated this year, as well as through various funding and technical support instruments aimed at supporting Member States in the development of more favourable ecosystems for the Social Economy.
It is within this context that the international project “Supporting the development of the social economy as a driver for growth” emerges, developed under the European Commission’s Technical Support Instrument (TSI), through the Reform and Investment Task Force – SG REFORM, in partnership with the Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD). The project involves Portugal, Croatia, France, Greece and the Belgian region of Wallonia, seeking to support the development of strategies, public policies and instruments to strengthen the Social Economy in different national contexts. In the Portuguese case, the project is being developed in coordination with the Cooperative António Sérgio for the Social Economy (CASES) and the Directorate-General for Solidarity and Social Security (DGSSS), with the central objective of supporting the preparation of a future National Strategy for the Social Economy. This strategy aims to contribute to the structural strengthening of the sector, promoting greater institutional recognition and coordination among stakeholders. Within the scope of this process, CASES promoted, as a complementary initiative, a public consultation addressed to the Social Economy ecosystem[1], seeking to gather contributions regarding the main challenges, needs, priorities and opportunities for the sector in Portugal. The consultation took place between October and November 2025 and involved Social Economy entities, experts, institutional representatives and citizens, constituting one of the most comprehensive participatory exercises ever carried out in this field in Portugal. Participation was dominated by actors from the Social Economy itself, encompassing different institutional families, including associations, cooperatives, foundations, Holy Houses of Mercy, mutual associations, private institutions of social solidarity (IPSS) or equivalent and representative structures. There was a strong presence of entities with IPSS status, which lends robustness to the conclusions relating to the social and welfare field. These results also constitute a fundamental contribution to the final report of the National Strategy for the Social Economy to be prepared by the OECD within the framework of the TSI project. This article seeks to present, in a concise manner, the main results of this public consultation, while simultaneously reflecting on the need for a National Strategy for the Social Economy in a context in which this sector is becoming increasingly relevant. THE SECTOR’S CHALLENGES AND NEEDS: AN INTERDEPENDENT CRITICAL CORE The public consultation promoted by CASES revealed considerable convergence regarding the main structural weaknesses of the sector, making it possible to identify clear patterns concerning the principal challenges and priorities. Financial sustainability and human resources clearly emerge as the critical core of the concerns identified by the sector. Entities report difficulties associated with dependence on public funding, mismatches between public compensation and real costs, payment delays, excessive dependence on short-term projects and limited financial predictability — factors that hinder planning and investment capacity in the medium term. At the same time, difficulties in recruiting and retaining qualified professionals arise transversally, associated with uncompetitive salaries, the absence of structured career paths, high staff turnover and growing pressure on direct care and social support services, particularly in low-density territories. These factors are compounded by other structural weaknesses identified by the sector, namely:
The needs identified align directly with these challenges and point towards structural changes rather than merely isolated measures. Among the priorities most frequently mentioned are:
FROM TRADITIONAL SOCIAL RESPONSES TO A LABORATORY OF INNOVATION The consultation also highlights a relevant distinction between areas of impact already consolidated and emerging areas where the sector identifies significant potential for growth and innovation. The current impact of the Social Economy remains strongly associated with social action and inclusion, childhood and families, ageing and long-term care, as well as health and continuity of care, reflecting the historical role of these entities as proximity structures, often present in territories or domains where other actors provide insufficient responses. However, there is also a set of emerging strategic areas that may assume increasing importance in the coming years, namely:
It should be noted that these areas are not perceived as a rupture with the traditional role of the Social Economy, but rather as a necessary evolution of existing responses, requiring greater capacity for innovation, territorial integration and organisational modernisation.
STRATEGIC PRIORITIES: FUNDING, RECOGNITION AND CAPACITY-BUILDING The responses to the consultation also reveal strong convergence regarding the priorities that should be integrated into a future National Strategy for the Social Economy. The most prominent dimension is the need to improve access to funding, followed by strengthening the institutional recognition of the sector and capacity-building of human resources. These three axes clearly emerge as preconditions for the consolidation and modernisation of the Social Economy ecosystem in Portugal. Additionally, the following also emerge as relevant priorities:
Internationalisation and market access are likewise identified as relevant, although subordinate to more immediate structural needs.
One particularly interesting aspect of the consultation concerns the strong importance attributed by the sector to the need to develop a truly integrated ecosystem for capacity-building. The responses point not only to the need for occasional training, but also to the creation of permanent structures for technical support, organisational modernisation, skills development, support for digitalisation, sustainability-oriented funding and improvement of the institutional framework. COORDINATION, GOVERNANCE AND COMMUNICATION In the field of governance and coordination, the contributions collected reveal a broadly critical assessment of the mechanisms currently in place, considering them insufficiently operational and lacking real influence on the effective design of public policies for the sector. Sector stakeholders point to the need for a more structured multi-stakeholder governance architecture involving:
Within this domain, important concerns are highlighted. The sector identifies as its main objective the increase of public awareness and valorisation of the Social Economy, overcoming excessively assistentialist narratives and reinforcing the perception of the sector as a strategic economic, social and territorial actor.
Society at large emerges as the priority target audience for awareness-raising campaigns, followed by political decision-makers, public administration, the business sector, investors and young people. Communication is essential to increase visibility, but it should also be regarded as a mechanism for political influence, investment mobilisation, talent attraction and reinforcement of the sector’s collective identity. THE NEED FOR A NATIONAL STRATEGY FOR THE SOCIAL ECONOMY The results of this public consultation reveal a sector which, despite its historical and institutional relevance, continues to face profound structural challenges. Financial sustainability, the valorisation of human resources, administrative simplification, digitalisation, institutional coordination and public recognition emerge as persistent and interdependent needs. These results reinforce the idea that the Social Economy requires not merely isolated measures, but rather a coherent, stable and medium- to long-term oriented national strategy. Portugal experienced, particularly from 2010 onwards, a very significant evolution in the institutional, legal and statistical recognition of the Social Economy. The creation of CASES marked the beginning of a process of affirmation of this sector. Indeed, CASES accompanied decisive milestones such as the creation of the National Council for the Social Economy (CNES), the Framework Law on the Social Economy and the Social Economy Satellite Account, among others, all of which were fundamental for the greater institutional consolidation of the sector, its recognition as a cohesive economic and social reality and the overcoming of structural challenges. However, the contributions collected demonstrate that this path remains incomplete and that the recognition achieved has not eliminated all the fragilities that continue to limit the transformative potential of the sector, revealing a greater need for consolidation. The sector continues to require a genuine strategy of structural leverage capable of creating systemic conditions to qualify, finance and recognise it. In this context, the results of the public consultation promoted by CASES constitute not only a relevant participatory exercise, but also a basis for defining the fundamental components of a National Strategy for the Social Economy capable of responding to the challenges identified and strengthening the Social Economy as a structuring sector of Portugal’s economic and social development. It should be noted that the need for a Strategy is not a specifically Portuguese feature. In several European countries and beyond Europe, the Social Economy has assumed increasing centrality within public agendas, with the development of national strategies, action plans, specialised financing mechanisms and sector-specific policies. This evolution results from the growing recognition that the Social Economy does not represent a residual complement to the State or the market, but rather a strategic pillar of social cohesion, territorial development, innovation and economic and democratic resilience. Indeed, in a world marked by growing instability, persistent inequalities, demographic pressures and the weakening of community bonds, the Social Economy constitutes not only a relevant economic and social actor, but also a fundamental ally in building solutions. Within this framework, its strengthening should not be understood as an accessory public policy option, but as a structural necessity, coherent with the constitutional recognition of the cooperative and social sector in Portugal and with the responsibility of the State to create differentiated conditions for its development. In this sense, the absence in Portugal of a clear and structured public response for this sector may limit the country’s ability to fully harness the transformative potential of the Social Economy in responding to contemporary economic and social challenges, while simultaneously aggravating the fragilities identified by the sector’s own actors. Social Economy entities will naturally continue to exist and respond to the needs of communities, often facing many barriers and accomplishing much with scarce resources. However, it is through the articulation between these entities, society and public authorities that the most robust, innovative and impactful responses tend to emerge. Therefore, without a stable structure for promotion, monitoring, coordination and dialogue with the sector, the Social Economy will continue to occupy a secondary position in the formulation of public policies, resulting in missed opportunities to strengthen the country’s social, territorial and economic cohesion. In this context, it is impossible not to reflect upon the imminent extinction of CASES. Naturally, the DGSSS will ensure the formal continuation of the ongoing work. However, at a time when a future National Strategy for the Social Economy is precisely under construction, and considering that the international project currently underway will only conclude in 2027, the possible disappearance of the main public structure specifically dedicated to this sector can hardly fail to raise legitimate concerns. The issue lies not merely in the administrative continuity of a project, but in the political and institutional signal conveyed by such a decision. Over recent decades, Portugal has progressively built a pioneering institutional, legal and statistical ecosystem in the field of the Social Economy, internationally recognised and frequently presented as an example in various European and international forums. CASES has played a central role in this process, functioning as a structure for coordination, capacity-building, knowledge production and proximity to the sector. Yet the results of this public consultation demonstrate precisely that, despite the progress achieved, many of the fragilities identified by the sector remain structural: insufficient coordination, limited public valorisation, capacity-building difficulties, institutional fragmentation and persistent financial fragility. In this context, the weakening or disappearance of public structures specifically devoted to the Social Economy risks aggravating these fragilities and interrupting a consolidation process that remains incomplete. There is also the risk that the knowledge produced, the contributions collected and the collective effort of co-constructing a National Strategy may ultimately be reduced to a formal exercise without genuine translation into structuring public policies. And that would perhaps be the greatest paradox: recognising the strategic relevance of the Social Economy within a particularly demanding global context, yet failing to create the necessary conditions for that potential to be effectively mobilised. Ignoring this potential may represent not only a lost opportunity for the sector, but also a lost opportunity for the country itself. 1. Full report is available at: https://cases.pt/wp-content/uploads/2026/03/PT_CASES_Relatorio-Consulta-Publica.pdf
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Eduardo Pedroso é economista especializado em estatísticas e políticas da economia social. Iniciou a sua carreira no Instituto Nacional de Estatística, onde contribuiu tecnicamente para o desenvolvimento da primeira Conta Satélite da Economia Social em Portugal e do primeiro inquérito nacional ao trabalho voluntário. Atualmente, é responsável pela Equipa de Estatísticas e Base de Dados da CASES – entidade nacional portuguesa para a promoção da economia social – onde supervisiona projetos como a Conta Satélite da Economia Social Portuguesa, a Base de Dados Permanente das Entidades da Economia Social e as estatísticas do setor cooperativo. Está também ativamente envolvido em processos nacionais de formulação de políticas públicas e de reforma legislativa, contribuindo igualmente para diversas iniciativas internacionais. Integra, enquanto perito, o GECES da Comissão Europeia e o Grupo de Trabalho Técnico sobre Estatísticas da Economia Social e Solidária da Task Force Interagências das Nações Unidas sobre Economia Social e Solidária (UNTFSSE).
Paula Correia é licenciada em Serviço Social pelo ISSLx, pertence ao quadro da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social desde a sua génese, em 2009, onde desempenha atualmente as funções de Coordenadora do Departamento de Projetos, Programas e Voluntariado. Trabalhou no Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo desde 1999. Formadora desde 2008, possui ainda experiência no planeamento, elaboração, gestão e acompanhamento de Projetos de Apoio à Criação e Consolidação de Cooperativas e de Projetos de Apoio à Economia Social. Coordenadora desde 2018 do Departamento de Voluntariado, Projetos e Inovação Social. Filipa Farelo é coordenadora do Departamento de Relações Institucionais, Setor Cooperativo e Estatísticas – CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social. Trabalha na CASES desde 2010, acompanhando diversas atividades e projetos, entre os quais o Conselho Nacional para a Economia Social, o Prémio António Sérgio, a credenciação de cooperativas, o Programa de Apoio a Cooperativas e a Estratégia Nacional para a Economia Social. Participa em grupos de trabalho e representa a CASES em organizações internacionais, nomeadamente no GECES (Grupo de Peritos da Comissão Europeia para a Economia Social e as Empresas Sociais), na Social Economy Europe e na Cooperatives Europe. Coordena a equipa do Setor Cooperativo e Estatísticas, bem como a Casa António Sérgio (Biblioteca e Centro de Documentação da Economia Social). Entre 2006 e 2008 desempenhou funções como Agente de Cooperação na Embaixada de Portugal em Maputo, Moçambique. Em 2009 e 2010 integrou o departamento de cooperação da empresa de consultoria Ogimatech. É licenciada em Estudos Europeus pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2005), possui uma pós-graduação em Desenvolvimento pelo ISCTE-IUL (2010) e uma especialização em Cooperação para o Desenvolvimento pelo INA (2011).
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