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Revista ES - Economia Social
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n.23 // setembro 2025

IN MEMORIAM
RUI NAMORADO

​IN MEMORIAM
RUI NAMORADO

EDUARDO GRAÇA
Presidente da CASES
Fotografia

Evocar uma personalidade como a de Rui Namorado, pela sua morte, pertence ao campo da memória da política e das ideias. Comungámos do mesmo sonho de uma sociedade mais justa e fraterna, cada um a seu modo, ele mais através do estudo, eu mais através da ação. Nada nos demoveu dos nossos ideais de juventude até ao fim, com acertos e desvios, de uma sociedade mais justa conciliando o individual e o coletivo. Hoje mais do que nunca, as nossas convicções, e as do Rui muito em particular, mostram uma linha condutora que se não esgota em episódios isolados, tendo no centro a ideia da associação de pessoas que prosseguem finalidades de interesse comum, hoje designada, no seu mais largo perímetro, como Economia Social.
 
Este é o movimento, fundado em valores ancestrais, que se resume em duas palavras, o bem comum, assumidos pela igreja católica e por movimentos laicos ao longo da história e que se mantêm vivos.  Desde as associações propriamente ditas às misericórdias, cooperativas, mútuas, baldios, nas suas diversas formas jurídicas e estatutos, produzindo e distribuindo bens e serviços, sem vocação de lucro.
 
António Sérgio foi um defensor e doutrinador, estrénuo do associativismo, em particular na sua forma cooperativa, e Rui Namorado um dos seus mais notáveis continuadores. O que percorre as entranhas do pensamento de ambos é o apelo à manifestação livre da vontade dos cidadãos em se associarem na defesa dos seus interesses próprios e das comunidades locais, alargando essa ideia à comunidade nacional, como barreira de resistência ao império do lucro, sem desdenharem do capital. Cada um à sua maneira defenderam o que Sérgio designou como “socialismo cooperativo”, nas suas palavras «a grata substituição da supremacia do Estado pelo governo da economia pelo próprio povo ou por legítimos representantes desse mesmo povo».
 
Infelizmente é escassa a memória das ideias, e instituições políticas do século XX, anteriores ao Estado Novo que, ao longo de 48 anos produziu uma rasura profunda ao livre pensamento e às suas obras e instituições.  Hoje, mais do que nunca, face ao ressurgimento das autocracias, urge reacender o conhecimento cerca dos livres-pensadores entre os quais reconheço Rui Namorado. 
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Remembering a figure such as Rui Namorado, upon his passing, belongs to the realm of political memory and ideas. We shared the same dream of a fairer and more compassionate society, each in our own way, he more through study, I more through action. Nothing deterred us from our youthful ideals until the end, with successes and deviations, of a fairer society reconciling the individual and the collective. Today more than ever our convictions, and Rui's in particular, show a guiding line that is not exhausted by isolated episodes, having at its centre the idea of the association of people pursuing goals of common interest, today called, in its broadest perimeter, the social economy.
 
This is the movement, founded on ancestral core values that can be summarised in two words, the common good, assumed by the Catholic Church and secular movements throughout history and which are still alive. From the associations themselves, to misericórdias (charitable institutions), co-operatives, mutual societies, communal lands, in their various legal forms and statutes, producing and distributing goods and services, without a profit motive.
 
António Sérgio was a staunch defender and doctrinaire of associativism, particularly in its co-operative form, and Rui Namorado one of its most notable continuators. What runs through both men's thinking is the call for the free expression of the will of citizens to associate in defence of their own interests and those of local communities, extending this idea to the national community, as a barrier of resistance to the empire of profit, without disdaining capital. Each in their own way, they defended what Sérgio calls "co-operative socialism", in his words "the grateful replacement of the supremacy of the state by the government of the economy by the people themselves or by legitimate representatives of that same people".
 
Unfortunately, there is little memory of the ideas and political institutions of the 20th century, prior to the Estado Novo, which, over the course of 48 years, produced a profound erasure of free thought and its works and institutions.  Today, more than ever, in the face of the resurgence of autocracies, there is an urgent need to rekindle knowledge of freethinkers, among whom I recognise Rui Namorado. 
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n.23 // setembro 2025
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