O PAPEL
|
THE ROLE OF TRAINING
IN THE SOCIAL ECONOMY SECTOR |
|
A formação dirigida ao setor da economia social tem vindo a consolidar-se, ao longo dos últimos anos, como eixo estratégico para o desenvolvimento e a sustentabilidade das organizações que o integram. A aceleração dos processos de inovação tecnológica, aliada à crescente complexificação dos modelos de gestão organizacional, tem vindo a reforçar a necessidade de qualificação continua e de capacitação especializada dos profissionais do setor.
Neste enquadramento, a formação deixa de assumir um carácter meramente complementar, passando a configurar-se como um elemento estrutural na promoção de eficiência e eficácia organizacional, no reforço da qualidade dos processos de tomada de decisão, na garantia de padrões elevados de prestação de serviços e no estímulo à inovação nas respostas sociais. De acordo com dados oficiais mais recentes da Conta Satélite da Economia Social de 2020, o setor representa, atualmente, cerca de 3% do Valor Acrescentado Bruto, integrando aproximadamente 74.000 entidades e empregando mais de 245.000 trabalhadores. A este universo acresce um conjunto alargado de outros intervenientes que colaboram nas dinâmicas do setor, designadamente mais de 500.000 voluntários, cuja intervenção pressupõe a necessidade de capacitação adequada. Neste contexto, desafios como a profissionalização da gestão, a adaptação às exigências da inovação tecnológica e a sustentabilidade financeira assumem uma natureza transversal às diferentes famílias da economia social, reforçando a centralidade das políticas para a formação e capacitação. Para uma compreensão mais aprofundada da complexidade inerente à estruturação da oferta formativa para o setor, importa considerar que, até à criação da CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, as entidades promotoras de formação tendiam a desenvolver programas ajustados às especificidades de cada uma das famílias da economia social, privilegiando assim, uma lógica de formação modular dirigida a públicos e atividades especificas. Neste âmbito, destaca-se o trabalho desenvolvido pelo INSCOOP – Instituto António Sérgio do Setor Cooperativo até 2009 – posteriormente integrado na CASES -, que se centrava na dinamização de formação para o setor cooperativo, com particular incidência na gestão de organizações desta natureza. Com a criação da CASES, em 2009, esta entidade assume um papel central no domínio da formação, conforme consagrado nas suas atribuições estatutárias, ao “promover e colaborar na dinamização da formação no setor da economia social, nomeadamente através do reforço da qualificação dos profissionais e da sustentabilidade das organizações do setor”. Esta orientação estratégica foi reforçada com a criação do PADES – Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social, em 2010. Um programa de Governo concebido com o objetivo de criar linhas de ação para o reforço da parceria entre o Estado e o setor social. Entre as suas medidas de intervenção, o PADES promoveu o desenvolvimento de programas de formação profissional orientados para a gestão e modernização das entidades do setor. No âmbito da operacionalização das suas atribuições, a CASES iniciou um conjunto de atividades na área da formação. Numa fase inicial, procedeu à análise dos projetos formativos desenvolvidos no setor e do conhecimento acumulado pelo INSCOOP. Posteriormente, foi constituído um grupo de trabalho integrado por elementos das diversas entidades cooperadoras da CASES, que haviam já realizado diagnósticos de necessidades formativas, com o objetivo de aferir a pertinência do desenvolvimento de formação na área da gestão das organizações da economia social. Este grupo, designado de EGPAES – Equipa de Gestão para a Economia Social, assumiu um papel determinante na consolidação desta abordagem. Do trabalho desenvolvido pelo EGPAES resultou a decisão de a CASES promover iniciativas formativas complementares às já existentes no setor, assegurando a não duplicação de oferta e a articulação entre entidades. Assim, foi criado o curso de Gestão de Organizações da Economia Social (GOES), concebido como eixo estruturante da então futura oferta formativa. A partir desta definição, iniciou-se um processo de adaptação de referenciais de formação às diferentes famílias da economia social. A experiência acumulada demonstrou a existência de desafios comuns, nomeadamente ao nível da sustentabilidade organizacional, dos modelos de gestão e dos processos de tomada de decisão, evidenciando a pertinência de abordagens formativas e pedagógicas transversais. Importa ainda destacar o carácter inovador desta abordagem, nomeadamente através da constituição de equipas de trabalho multissectoriais, que promoveram a articulação entre profissionais de diferentes famílias da economia social, até então com reduzida interação, potenciando a partilha de conhecimento e uma visão integrada do setor. A dinamização da formação na CASES conheceu novos desenvolvimentos com a criação, em 2011, do FORMAES – Programa de Formação para a Economia Social, direcionado para a estruturação de programas formativos e divulgação de instrumentos de oferta formativa no setor da economia social. A crescente procura, por parte dos profissionais do setor, de formação especializada e certificada – orientada para a consolidação e melhoria de práticas de gestão e de intervenção – contribuiu para a expansão da oferta formativa. Esta necessidade é reforçada pela natureza estável do emprego no setor, uma vez que, de acordo com o Inquérito ao Setor da Economia Social de 2018, cerca de 81% dos trabalhadores se encontravam vinculados através de contratos de trabalho sem termo. Neste contexto, foi celebrado em 2021 o Acordo para a Formação Profissional e Qualificação da Economia Social, promovido pelo Governo com o envolvimento de diversos parceiros institucionais, incluindo a CASES. Este acordo estabeleceu as bases para a posterior criação do CEIS - Centro para a Economia e Inovação Social, orientado para a promoção de formação especializada e financiada, enquadrado nas orientações do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, definidos na Cimeira Social do Porto. Posteriormente, em 2025, e no sentido de reforçar a articulação institucional e a eficácia das respostas formativas, o Governo procedeu à fusão do CCEA – Centro de Competências de Envelhecimento Ativo com o CEIS, dando origem ao atual CCES - Centro de Competências para a Economia Social, gerido pelo IEFP – Instituto do Emprego e da Formação Profissional e pela CPES – Confederação Portuguesa da Economia Social. Desta forma, a formação tem vindo a afirmar-se como um instrumento estratégico fundamental para a capacitação dos recursos humanos, a melhoria da qualidade dos serviços prestados e o reforço da sustentabilidade das organizações da economia social. A criação de centros de formação especializados e a crescente integração destas temáticas no ensino superior refletem a importância deste domínio. Importa considerar que o setor da economia social é, em larga medida, composto por recursos humanos com percursos formativos heterogéneos, nem sempre especializados em gestão ou intervenção social. Neste sentido, a formação assume um papel determinante na promoção de profissionalização do setor, através do desenvolvimento de competências de gestão e liderança, planeamento estratégico, gestão de projetos e avaliação de impacto social. Para além do impacto ao nível individual, a formação reforça a capacidade coletiva das organizações que compõem o setor, promovendo práticas mais eficientes, inovadoras e sustentáveis. Neste cenário, a formação deve ser entendida como um investimento estratégico gerador de valor económico e social, com impactos diretos e comprovados no quotidiano da sociedade civil e no desenvolvimento da economia social em Portugal. No âmbito do desenvolvimento das suas atribuições e do contributo para a qualificação do setor, a CASES tem vindo a promover um conjunto diversificado de ações de formação, maioritariamente dinamizadas à distância e gratuitas para o seu público-alvo. Entre a oferta formativa destaca-se o curso pioneiro de Gestão de Organizações da Economia Social, o curso de Gestão de Projetos em Organizações da Economia Social, o curso de Avaliação de Impacto Social, o curso de Introdução à Economia Social, bem como iniciativas de natureza mais especifica, como o Workshop “Como criar uma cooperativa” e a Academia Y.ES. O curso Gestão de Organizações da Economia Social (GOES), constitui uma das principais referências da oferta formativa da CASES. Este curso visa promover o desenvolvimento de competências de gestão em dirigentes, técnicos e voluntários de entidades da economia social, contribuindo para o aperfeiçoamento dos processos de gestão e administração das organizações, bem como para a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados. Com uma duração de 150 horas, distribuídas por oito módulos, o curso permite uma frequência flexível – integral ou modular –, ajustando-se às necessidades formativas dos participantes. A qualidade pedagógica é assegurada por uma equipa de formadores com experiência consolidada no setor. Desde a sua implementação, o GOES registou:
Na sequência do levantamento e análise das necessidades identificadas pelos participantes do GOES, surgiu o curso Gestão de Projetos em Organizações da Economia Social (GPOES), com o objetivo de aprofundar competências de gestão de projetos nos dirigentes, técnicos e voluntários de entidades da economia social. Com uma duração de 50 horas, esta formação procura reforçar a capacidade de planeamento, execução e monitorização de projetos, promovendo práticas organizacionais mais eficientes. O GPOES contabiliza:
Entre os principais cursos da CASES, destaca-se ainda o curso de Avaliação de Impacto Social (AIS), igualmente com uma duração de 50 horas, concebida para dirigentes, técnicos e voluntários de entidades da economia social. O curso tem como objetivo dotar os participantes de competências fundamentais para medir e avaliar o impacto das suas intervenções. Mais do que uma abordagem teórica, a formação aposta numa vertente prática, permitindo aos formandos aplicar metodologias de avaliação de impacto, apoiar a sua implementação nas organizações e promover práticas de gestão mais sustentáveis. O AIS registou:
Mais recentemente, a CASES lançou o curso de Introdução à Economia Social (IES), com o objetivo de proporcionar uma base solida de conhecimento sobre o setor. A formação aborda o enquadramento histórico e conceptual, aspetos jurídicos e fiscais, bem como temas relacionados com o empreendedorismo, inovação, sustentabilidade e impacto social. Com uma duração de 50 horas, destina-se a um público diversificado, incluindo profissionais da administração pública e privada, estudantes, empreendedores sociais e técnicos de organizações da economia social. Até ao momento, foi realizada uma ação de formação, na qual se registou:
Para além dos cursos mencionados, a CASES promove também iniciativas formativas de curta duração, de carácter menos regular, e destinadas a públicos mais alargados e orientados para o desenvolvimento de competências especificas. Neste âmbito, destaca-se o Workshop “Como criar uma Cooperativa” lançado em 2025, que responde ao crescente interesse pelo modelo cooperativo. Com uma duração de 7 horas, esta formação procura sensibilizar os seus participantes para os princípios cooperativos, bem como para os processos legais e organizacionais associados à criação de cooperativas, promovendo assim, conhecimento do regime jurídico e fiscal do setor cooperativo e incentivando a criação de cooperativas mais estruturadas e conscientes. Na sua primeira edição contou com 77 participantes inscritos e 42 certificados emitidos.
A Academia Y.ES, por sua vez, constitui uma iniciativa consolidada desde 2014, conta com 8 edições, dedicadas à promoção do empreendedorismo e da economia social, em formatos presencial e a distância. Esta iniciativa visa sensibilizar e capacitar os participantes para o desenvolvimento de projetos de empreendedorismo social coletivo, promovendo simultaneamente oportunidades de criação de emprego e realização pessoal. Complementarmente, e no sentido de alargar o impacto da capacitação no setor, a CASES criou, em 2015, a Bolsa de formadores para a Economia Social. Este instrumento visa constituir uma rede nacional de formadores qualificados e especializados nas temáticas da economia social e capazes de apoiar os profissionais e organizações do setor na melhoria dos seus processos de gestão e na sustentabilidade das suas atividades e intervenções. Este instrumento disponibiliza ainda, um mecanismo de apoio às entidades do setor que pretendam desenvolver ações formativas de forma autónoma e que pretendam consultar a bolsa. Atualmente a Bolsa de Formadores da CASES integra 258 formadores registados, constituindo-se como um recurso relevante para o fortalecimento das competências no setor. A analise da participação nas iniciativas da CASES, evidencia a diversidade e abrangência do público envolvido. Desde 2021, registaram-se participantes provenientes de diferentes famílias da economia social, nomeadamente associações (458), instituições particulares de solidariedade social (428), cooperativas (318), misericórdias (295), fundações (51), confederações (5) e outras entidades privadas (105), confirmando a transversalidade da procura e a relevância da formação enquanto resposta às necessidades crescentes do setor. Neste contexto, a formação assume um papel determinante no fortalecimento e na articulação entre as entidades da economia social, funcionando como um verdadeiro espaço de convergência e cooperação entre organizações. Mais do que uma opção, a qualificação contínua, tornou-se uma condição essencial para garantir respostas mais eficazes e ajustadas aos desafios emergentes do setor. Ao investir na qualificação dos seus profissionais, o setor reforça a sua capacidade de decisão, promovendo abordagens mais estratégicas e orientadas para resultados. Este processo traduz-se numa crescente profissionalização, com impacto direto na melhoria da intervenção social e comunitária. A diversidade das ofertas formativas, desde cursos mais especializadas até programas de formação gerais e de maior duração, permite responder de forma flexível aos desafios concretos do terreno, potenciando a aplicação pratica dos conhecimentos adquiridos. Mais do que desenvolver competências individuais, a formação fortalece o setor no seu conjunto, criando organizações mais preparadas, colaborativas e resilientes. O seu futuro dependerá, em grande medida, da capacidade de continuar a investir de forma consistente na qualificação contínua dos seus profissionais. A formação afirma-se, assim, não apenas como uma ferramenta de capacitação, mas como um verdadeiro motor de transformação, essencial para consolidar o papel da economia social na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável.
|
Training provision for the social economy sector has, over recent years, become firmly established as a strategic pillar for the development and sustainability of the organisations operating within it. The accelerating pace of technological innovation, coupled with the increasing complexity of organisational management models, has further reinforced the need for continuous professional development and the specialised upskilling of the sector's workforce.
Within this framework, training is no longer regarded as merely complementary, but has instead become a structural component in promoting organisational efficiency and effectiveness, strengthening the quality of decision-making processes, ensuring high standards of service delivery, and fostering innovation in the provision of social responses. According to the most recent official data from the 2020 Social Economy Satellite Account, the sector currently accounts for around 3% of Gross Value Added (GVA), comprising approximately 74,000 organisations and employing more than 245,000 people This ecosystem also includes a wide range of other stakeholders who contribute to the sector's dynamics, including over 500,000 volunteers, whose involvement requires appropriate training and capacity building. Within this context, challenges such as the professionalisation of management, adaptation to the demands of technological innovation, and financial sustainability cut across the different families of the social economy, further reinforcing the central role of training and capacity-building policies. To gain a deeper understanding of the complexity inherent in structuring training provision for the sector, it is important to recognise that, prior to the establishment of CASES (António Sérgio Cooperative for the Social Economy), training providers generally developed programmes tailored to the specific characteristics of each family of the social economy, thereby favouring a modular approach to training targeted at specific groups and activities. In this regard, particular attention should be given to the work carried until 2009 by INSCOOP (António Sérgio Institute for the Cooperative Sector), which was subsequently incorporated into CASES. INSCOOP's activities focused on promoting training for the cooperative sector, with particular emphasis on the management of organisations of this nature. With the establishment of CASES in 2009, the organisation assumed a central role in the field of training, as enshrined in its statutory responsibilities, namely to “promote and support the development of training within the social economy sector, particularly through strengthening the qualifications of the sector’s workforce and enhancing the sustainability of social economy organisations”. This strategic orientation was further reinforced by the launch of PADES (Programme for Supporting the Development of the Social Economy) in 2010, a government programme designed to establish strategic lines of action aimed at strengthening the partnership between the State and the social economy sector. Among its main measures, PADES promoted the development of vocational training programmes focused on the management and modernisation of social economy organisations. As part of the implementation of its statutory responsibilities, CASES initiated a range of activities in the field of training. During an initial phase, it undertook a review of the training projects developed within the sector, together with the body of knowledge accumulated by INSCOOP. Subsequently, a working group was established, bringing together representatives from the various partner organisations of CASES that had already carried out training needs assessments, with the aim of determining the relevance of developing training programmes in the field of social economy management. This group, designated EGPAES (Management Team for the Social Economy), played a pivotal role in consolidating this approach." The work carried out by EGPAES led to CASES' decision to promote training initiatives that complement existing provision within the sector, thereby preventing the duplication of programmes and ensuring effective coordination between entities. Consequently, the Management of Social Economy Organisations (GOES) course was developed, conceived as a cornerstone of what was then the forthcoming training provision. Following this definition, a process was initiated to adapt training frameworks to the distinct families of the social economy. Accumulated experience highlighted shared challenges, particularly regarding organisational sustainability, management models, and decision-making processes, underscoring the relevance of cross-cutting training and pedagogical approaches. It is also worth highlighting the innovative nature of this approach, notably through the creation of multi-sectoral working teams. These teams fostered collaboration among practitioners from various families of the social economy who previously had limited interaction, thereby enhancing knowledge-sharing and a more integrated vision for the sector." The development of training activities at CASES gained new momentum with the creation, in 2011, of FORMAES (Training Programme for the Social Economy), aimed at structuring programmes and promoting training provision tools within the social economy sector." The growing demand among professionals in the sector for specialised and certified training – geared towards strengthening and improving management and intervention practices – contributed to the expansion of training provision. This need is further reinforced by the sector's stable employment profile, since, according to the 2018 Survey of the Social Economy Sector, around 81% of workers were employed under permanent employment contracts. In this context, the Agreement for Vocational Training and Qualification in the Social Economy was concluded in 2021, promoted by the Government with the involvement of a range of institutional partners, including CASES. This agreement laid the foundations for the subsequent creation of CEIS (Centre for Social Economy and Innovation), aimed at promoting specialised, publicly funded training, in line with the principles of the European Pillar of Social Rights, as set out at the Porto Social Summit. Subsequently, in 2025, with a view to strengthening institutional coordination and enhancing the effectiveness of training provision, the Government merged the CCEA (Active Ageing Competence Centre) with CEIS, giving rise to the current CCES (Competence Centre for the Social Economy), managed by the IEFP (Institute for Employment and Vocational Training) and the CPES (Portuguese Confederation of the Social Economy). Thus, training has increasingly established itself as a key strategic instrument for the upskilling of human resources, improving the quality of services delivered, and strengthening the sustainability of social economy organisations. The creation of specialised training centres, together with the growing integration of these themes into higher education, reflects the importance of this field. It is important to note that the social economy sector is, to a large extent, composed of human resources with heterogeneous educational and professional backgrounds, not always specialised in management or social intervention. Therefore, training plays a decisive role in fostering the professionalisation of the sector, through the development of skills in management and leadership, strategic planning, project management, and social impact assessment. Beyond its impact at the individual level, training strengthens the collective capacity of the organisations that make up the sector, promoting more efficient, innovative, and sustainable practices. In this context, training should be understood as a strategic investment that generates both economic and social value, with direct and demonstrable impacts on the day-to-day life of civil society and on the development of the social economy in Portugal. Within the scope of its mandate and its contribution to strengthening sectoral skills, CASES has been promoting a diverse range of training initiatives, mostly delivered online and free of charge for its target audience. The training offer includes, among others, the flagship course in Management of Social Economy Organisations, the course in Project Management in Social Economy Organisations, the course in Social Impact Assessment, and the course Introduction to the Social Economy, as well as more specialised initiatives such as the workshop “How to Set Up a Cooperative” and the Y.ES Academy. The course Management of Social Economy Organisations (GOES) is one of the main cornerstones of CASES’ training provision. It aims to foster the development of management competences among board members, technical staff, and volunteers from social economy entities, contributing to the improvement of organisational management and administrative processes, as well as to the continuous enhancement of service quality. With a total duration of 150 hours, structured across eight modules, the course offers flexible attendance options—either in full or on a modular basis—allowing it to be tailored to participants’ training needs. Pedagogical quality is ensured by a team of trainers with extensive experience in the sector. Since its implementation, GOES has recorded the following:
Following the identification and analysis of needs expressed by participants in the GOES programme, the course Project Management in Social Economy Organisations (GPOES) was developed, with the aim of further strengthening project management competences among board members, technical staff, and volunteers from social economy entities. With a duration of 50 hours, this training seeks to enhance planning, implementation, and monitoring capacities, promoting more efficient organisational practices. The GPOES programme has recorded the following:
Among CASES’ main training courses, particular mention should also be made of the Social Impact Assessment (AIS) course, likewise with a duration of 50 hours, designed for board members, technical staff, and volunteers from social economy entities. The course aims to equip participants with the essential competences to measure and assess the impact of their interventions. More than a purely theoretical approach, the training places a strong emphasis on practical application, enabling participants to apply impact assessment methodologies, support their implementation within organisations, and promote more sustainable management practices. The AIS course has recorded the following:
More recently, CASES launched the Introduction to the Social Economy (IES) course, with the aim of providing a solid foundation of knowledge on the sector. The training covers the historical and conceptual framework, as well as legal and fiscal aspects, alongside topics related to entrepreneurship, innovation, sustainability, and social impact. With a duration of 50 hours, it is aimed at a diverse audience, including professionals from public and private administration, students, social entrepreneurs, and technical staff from social economy organisations. To date, one training action has been delivered, with the following results:
In addition to the courses mentioned, CASES also promotes short-term training initiatives of a less regular nature, aimed at broader audiences and focused on the development of specific competences. In this context, particular mention should be made of the workshop “How to Set Up a Cooperative”, launched in 2025, which responds to the growing interest in the cooperative model. With a duration of 7 hours, this training seeks to raise participants’ awareness of cooperative principles, as well as the legal and organisational processes involved in establishing cooperatives, thereby promoting knowledge of the legal and fiscal framework of the cooperative sector and encouraging the creation of more structured and informed cooperatives. Its first edition recorded 77 participants enrolled and 42 certificates issued.
The Y.ES Academy, for its part, has been a well-established initiative since 2014, with eight editions dedicated to the promotion of entrepreneurship and the social economy, delivered in both face-to-face and online formats. This initiative aims to raise awareness and build capacity among participants for the development of collective social entrepreneurship projects, while simultaneously fostering opportunities for job creation and personal fulfilment. In addition, with a view to broadening the impact of capacity building in the sector, in 2015, CASES created the Trainers’ Pool for the Social Economy. This instrument is designed to establish a national network of qualified trainers specialised in social economy themes, capable of supporting professionals and organisations in improving their management processes and ensuring the sustainability of their activities and interventions. It also provides a support mechanism for organisations in the sector wishing to develop training initiatives autonomously and consult the pool. Currently, the CASES Trainers’ Pool includes 258 registered trainers, serving as a valuable resource for strengthening competences across the sector." The analysis of participation in CASES’ initiatives highlights the diversity and breadth of the audiences involved. Since 2021, participants have come from different families within the social economy, namely associations (458), private institutions of social solidarity (IPSS) (428), cooperatives (318), misericórdias (295), foundations (51), confederations (5), and other private entities (105), confirming the cross-sectoral demand and the relevance of training as a response to the sector’s growing needs. In this context, training plays a decisive role in strengthening and fostering coordination among social economy entities, functioning as a genuine space for convergence and cooperation between organisations. More than an option, continuous skills development has become an essential condition for ensuring more effective responses tailored to the sector’s emerging challenges. By investing in the upskilling of its professionals, the sector strengthens its decision-making capacity, promoting more strategic and results-oriented approaches. This process translates into increasing professionalisation, with a direct impact on the quality of social and community interventions. The diversity of training provision, ranging from more specialised courses to broader and longer-term training programmes, enables a flexible response to concrete, on-the-ground challenges, enhancing the practical application of acquired knowledge. Beyond developing individual competences, training strengthens the sector as a whole, fostering organisations that are better prepared, more collaborative, and more resilient. Its future will depend, to a large extent, on the ability to continue investing consistently in the continuous development of its professionals. Training thus establishes itself not merely as a capacity-building tool, but as a genuine driver of transformation, essential to consolidating the role of the social economy in building a more just, inclusive and sustainable society. |
|
As autoras integram a equipa da formação da CASES, onde desenvolvem atividades de conceção, coordenação, acompanhamento e avaliação de iniciativas de capacitação dirigidas a profissionais e organizações da Economia Social. Com percursos académicos nas áreas da Ciência Politica e Relações Internacionais, Gestão de Recursos Humanos e Ação Humanitária, reúnem experiência na gestão de programas formativos e no apoio ao desenvolvimento de competências no setor. A experiência acumulada neste contexto sustenta o interesse das autoras pela produção e disseminação de conhecimentos sobre os processos de aprendizagem e capacitação na Economia Social
|