NOTA DA EQUIPA
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NOTE FROM
THE COORDINATION TEAM |
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Esta edição especial da Revista ES, intitulada O Futuro do Cooperativismo e o Papel da Digitalização nasce de um desafio que foi lançado no âmbito do Comité do Futuro, uma estrutura informal que reúne jovens quadros com pensamento crítico e propostas para o setor da economia social. O desafio, que aceitámos com entusiasmo e sentido de responsabilidade, era o de refletir sobre o futuro do cooperativismo num número especial comemorativo do Ano Internacional das Cooperativas 2025.
Num tempo marcado por profundas e aceleradas transformações, em especial aquelas impulsionadas pela transição digital e a inteligência artificial, considerámos que essa seria a abordagem de reflexão ideal para este número. Temos a convicção de que o futuro do cooperativismo não se constrói apenas com memória, mas também com pensamento crítico, criatividade e vontade de intervir. Por isso, mobilizámos a diversidade das nossas experiências — entre a academia, a prática, a gestão, o terreno e a investigação — e a riqueza das nossas redes nacionais e internacionais, unidas por um compromisso comum: pensar o cooperativismo à luz dos seus princípios. A estrutura desta edição parte de assim de uma ideia simples: como podemos refletir cada um dos sete princípios cooperativos à luz da revolução digital que estamos a viver? Assim, em cada secção, convidámos autores a refletirem sobre os impactos da digitalização sobre um princípio cooperativo específico, explorando as tensões, as oportunidades e os riscos que se colocam à adesão voluntária, à gestão democrática, à participação económica, à autonomia, à educação, à intercooperação e à preocupação com a comunidade. A singularidade desta revista está também no seu visual: cada artigo é acompanhado por uma imagem gerada por inteligência artificial, construída a partir do que essa tecnologia “entende” como representação visual de cada princípio. Trata-se, para nós, de uma provocação simbólica — uma forma de questionar até que ponto conseguimos (ou não) confiar nas interpretações automáticas do que é, afinal, um sistema fundado na dignidade humana, na partilha e no controlo democrático. Esperamos que esta leitura seja, ao mesmo tempo, um convite à reflexão e uma inspiração para a ação. Que os princípios cooperativos continuem a iluminar caminhos num tempo cada vez mais automatizado, sem que se percam no ruído dos algoritmos. |
This special edition of Revista ES, entitled The Future of Cooperativism and the Role of Digitalization, was born from a challenge launched within the scope of the Committee of the Future, an informal structure that brings together young professionals with critical thinking and proposals for the social economy sector. The challenge, which we accepted with enthusiasm and a sense of responsibility, was to reflect on the future of cooperativism in a special issue commemorating the International Year of Cooperatives 2025.
In a time marked by profound and accelerated transformations, especially those driven by digital transition and artificial intelligence, we considered this the ideal thematic approach for this issue. We firmly believe that the future of cooperativism is not built solely on memory, but also on critical thinking, creativity, and the will to act. For this reason, we drew upon the diversity of our backgrounds — spanning academia, practice, management, fieldwork, and research — as well as the strength of our national and international networks, united by a shared commitment: to think about cooperativism through the lens of its principles. This issue is structured around a simple yet meaningful idea: how can we reflect on each of the seven cooperative principles in light of the digital revolution we are currently experiencing? To this end, we invited authors to reflect on the impacts of digitalization on each specific principle, exploring the tensions, opportunities, and risks that arise in relation to voluntary membership, democratic governance, economic participation, autonomy, education, intercooperation, and concern for the community. One of the unique aspects of this edition lies in its visual presentation: each article is accompanied by an image generated by artificial intelligence, built from what the system "understands" to be the visual representation of each principle. For us, this is a symbolic provocation — a way of questioning the extent to which we can (or cannot) trust automated interpretations of a model that is, at its core, rooted in human dignity, solidarity, and democratic control. We hope this edition serves both as an invitation to reflect and as an inspiration for action. May the cooperative principles continue to illuminate pathways in an increasingly automated world — without losing themselves in the noise of algorithms. |