VOLUNTARIADO EM PORTUGAL: COMUNICAÇÃO, PARTICIPAÇÃO E INOVAÇÃO AO SERVIÇO
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ANGELINA BARREIRO
DIANA CLETO
JOAQUIM SERAFIM
PAULA CORREIA
CASES
DIANA CLETO
JOAQUIM SERAFIM
PAULA CORREIA
CASES
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Num mundo cada vez mais digital, onde a comunicação acontece em tempo real e as redes sociais moldam as perceções diárias, o voluntariado enfrenta novos desafios e oportunidades. Mais do que promover ações solidárias isoladas, torna-se essencial desenhar estratégias capazes de mobilizar pessoas, aproximar comunidades e dar visibilidade ao impacto real do setor na sociedade. É neste contexto de transformação que a CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social – se tem afirmado como a entidade central na promoção, regulação e dinamização do voluntariado em Portugal.
Desde 2017, após assumir as atribuições públicas nesta área devido à extinção do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, a CASES tem desenvolvido um trabalho consistente de apoio às Organizações Promotoras de Voluntariado (OPV). A sua estratégia foca-se em dois grandes pilares: apoiar as organizações e aumentar a participação cívica dos cidadãos nas mais diversas causas sociais, reconhecendo que o voluntariado gera valor económico, inclusão social e fortalecimento democrático. Estima-se que cerca de 700.000 voluntários(as) a nível nacional disponibilizem o seu tempo em prol do bem-estar comunitário. 1. A REVOLUÇÃO DIGITAL NO SETOR: O IMPACTO ESTRUTURAL DA PLATAFORMA PORTUGAL VOLUNTÁRIO (PPV) O panorama do voluntariado em Portugal antes da intervenção direta da CASES era marcado por uma forte fragmentação. Não existia uma plataforma centralizada de âmbito nacional que permitisse sistematizar de forma fidedigna a informação relativa à atividade. A gestão da informação encontrava-se dispersa, coexistindo práticas diferenciadas entre organizações e reduzidos mecanismos de monitorização, articulação e qualificação da atividade. Esta assimetria dificultava quer a proteção jurídica dos participantes, quer o casamento eficiente entre quem queria ajudar e as reais necessidades do terreno. Ao longo dos últimos oito anos, verificou-se uma evolução qualitativa e quantitativa neste domínio, impulsionada de forma decisiva pela criação e consolidação da Plataforma Portugal Voluntário (PPV), lançada em 2018 como o instrumento digital fulcral de apoio, organização e dinamização do setor. A PPV permitiu centralizar num único ecossistema digital a oferta e a procura de voluntariado. Através dela, passou a ser possível operacionalizar o registo seguro de organizações promotoras, mapear iniciativas locais, validar ações concretas e registar os perfis dos cidadãos, introduzindo critérios robustos de transparência, monitorização contínua e qualificação da atividade. Tendo como referência o ano de 2025, os indicadores estatísticos da plataforma refletem a solidez e o crescimento contínuo deste ecossistema:
Apenas no período mais recente de análise, a plataforma registou 1.550 novos utilizadores, dos quais 1.513 correspondem especificamente a perfis de voluntários(as). Estes números atestam uma adesão crescente da população portuguesa à prática do voluntariado formal, enquadrado e seguro.
Além de servir como mero mural de correspondência de interesses, a CASES converteu a base de dados da PPV numa ferramenta de comunicação altamente estratégica e segmentada. Através do envio de e-mails dinâmicos direcionados, as oportunidades são comunicadas aos/às voluntários(as) com base em critérios geográficos e áreas de interesse manifestadas. Um exemplo prático deste impacto ocorreu com uma organização sediada no município de Oeiras: a sua ação de voluntariado foi divulgada cirurgicamente a cerca de 2.000 voluntários(as) ou potenciais voluntários(as) inscritos(as) na respetiva região, ampliando de forma exponencial o alcance, a notoriedade e a eficácia do recrutamento local. 2. ENQUADRAMENTO LEGAL, DESAFIOS ORGANIZACIONAIS E A FUNÇÃO PEDAGÓGICA A evolução quantitativa do setor seria estéril se não fosse acompanhada por uma progressiva estruturação jurídica e organizacional. Ao operacionalizar a monitorização dos dados, a CASES deparou-se com uma realidade desafiante: muitas organizações promotoras desconheciam por completo as obrigações legais associadas à promoção de atividades de voluntariado, as quais se encontram consagradas na Lei de Bases do Voluntariado (Lei n.º 71/98, de 3 de novembro). Entre as principais fragilidades detetadas figuravam o desconhecimento quanto à obrigatoriedade de desenhar programas de voluntariado específicos nos termos legalmente previstos, a ausência de entrega do Cartão de Identificação de Voluntário e a falta de adoção de instrumentos e regulamentos internos de enquadramento da atividade. Para inverter esta tendência, a CASES assumiu um papel pedagógico, tendo a PPV assumido um papel decisivo na progressiva estruturação do setor, traduzida na adoção de mecanismos de validação, acreditação e acompanhamento da atividade sempre que possível. Para além da dimensão quantitativa, importa destacar o impacto qualitativo desta evolução. A plataforma contribuiu para reforçar junto das organizações o conhecimento sobre o enquadramento legal do voluntariado e sobre a necessidade de adoção de práticas mais estruturadas, responsáveis e seguras na integração e acompanhamento de voluntários(as). O acompanhamento passou a ser feito de forma proativa através da análise de registos submetidos pelas entidades e das ações por elas disponibilizadas na plataforma. Isto permitiu à equipa técnica identificar precocemente situações de incumprimento legal ou debilidades de gestão institucional, orientando as organizações no cumprimento estrito da legislação aplicável. De forma a desburocratizar o processo e facilitar a vida às instituições, a PPV foi dotada de automatismos pedagógicos inovadores. Sempre que ocorre a integração efetiva de um(a) voluntário(a) numa ação registada no sistema, a plataforma gera e disponibiliza automaticamente os documentos essenciais exigidos por lei:
Adicionalmente, a CASES apoia materialmente a atividade quotidiana através da distribuição física de Kits de Voluntariado — compostos por materiais técnicos de apoio e de sensibilização —, tendo já entregado um total de 14.023 produtos junto das OPV. De referir ainda a criação e disseminação do Notebook, um instrumento de apoio à experiência de voluntariado. Dividido por secções, estas correspondem, de forma sequencial, às várias etapas de desenvolvimento de uma ação de voluntariado que se encontram sistematizadas em três momentos distintos: o início, o desenvolvimento e o termo da ação de voluntariado. Em cada momento, a sua utilização incide sobre os aspetos mais relevantes da experiência e da relação do(a) voluntário(a) com a organização promotora de voluntariado. Este notebook constitui um guia orientador para a prática do voluntariado, ao incluir conteúdos e recomendações práticas sobre a integração e acolhimento na organização, os direitos e deveres do(a) voluntário(a) e da organização, e o acompanhamento da ação. É, igualmente, um instrumento de apoio à reflexão sobre questões relacionadas com as motivações e expectativas iniciais, com os conhecimentos e competências que se espera desenvolver, e com a avaliação da experiência de voluntariado na sua globalidade.
A plataforma funciona ainda como um pilar de capacitação institucional ao disponibilizar o separador especializado “Recursos e Instrumentos”. Neste espaço digital, as organizações têm acesso permanente a compilações legislativas atualizadas, documentação técnica de apoio e diversos instrumentos técnicos dirigidos às organizações promotoras, contribuindo para o reforço da capacitação institucional e para a disseminação de boas práticas na gestão do voluntariado. Paralelamente, a PPV serve de suporte indispensável à instrução e elegibilidade para as candidaturas à Medida de Apoio ao Voluntariado, atuando como um elemento que incentiva e premeia a formalização e a transparência financeira e operacional das práticas associativas. Esta medida traduz-se no apoio financeiro direcionado para as organizações promotoras de voluntariado, inscritas e acreditadas na PPV, que desenvolvam ações de voluntariado de continuidade, no domínio da ação social, prendendo cobrir as despesas em que as organizações incorrem com o seguro de acidentes pessoais e de responsabilidade civil dos(as) voluntários(as) que enquadram. Contabilizaram-se até à data presente o apoio a 54 OPV com cobertura de apoio financeiro a 656 voluntários(as). Reconhecendo que as OPV carecem de mais apoio, para além do apoio financeiro à comparticipação de despesas associadas ao seguro dos voluntários, a CASES promoveu um estudo para qualificar o conhecimento sobre o voluntariado em Portugal. Este estudo desenvolvido com independência técnica e em parceria com a Confederação Portuguesa do Voluntariado, Pista Mágica e ANIMAR, teve como objetivo central aprofundar o conhecimento estratégico sobre o universo do voluntariado em Portugal, com enfoque nas práticas e desafios das organizações promotoras de voluntariado, identificando constrangimentos e oportunidades e apresentando recomendações para a melhoria das políticas públicas e das práticas organizacionais. Num contexto marcado por descontinuidade estatística e transformação das práticas de voluntariado, o estudo visa apoiar a definição de políticas públicas mais eficazes e o desenvolvimento de estratégias de qualificação do voluntariado, assumindo particular relevância no horizonte do Ano Internacional do Voluntariado que se assinala este ano. O estudo “Recolha e Análise de dados sobre o Universo do Voluntariado em Portugal” constitui um contributo fundamental para decisões mais informadas, sustentadas e alinhadas com os desafios contemporâneos do voluntariado em Portugal. Diante da evolução das dinâmicas sociais, refira-se que decorre atualmente um processo de revisão da Lei de Bases do Voluntariado, que vigora desde 1998, procurando atualizar as normas legais face aos desafios emergentes do século XXI. 3. FORMAÇÃO, QUALIFICAÇÃO E OS BENEFÍCIOS BIOPSICOSSOCIAIS DO VOLUNTARIADO A literatura científica contemporânea valida que a prática de voluntariado gera impactos profundos e multidimensionais. O fenómeno não traz apenas benefícios diretos para as comunidades ou para os utentes finais das entidades; ele reverte positivamente para as próprias organizações no cumprimento do seu objeto social e tem um efeito transformador na saúde dos voluntários. De acordo com um estudo de revisão publicado na prestigiada revista científica Voluntas “Exploring the Effects of Volunteering on the Social, Mental, and Physical Health and Well-being of Volunteers: An Umbrella Review” (Nichol, Wilson, Rodrigues, Haighton, 2024), os cidadãos que praticam voluntariado demonstram melhorias substanciais ao nível da saúde mental, bem-estar físico, inserção social e qualidade de vida, manifestando um sentido de pertença comunitária e motivação diária significativamente superiores. Estes dados encontram eco em investigações nacionais, como o estudo exploratório publicado pelo ISPA ("O Voluntariado e a satisfação com a vida: um estudo exploratório com estudantes universitários", 2015). Numa amostra alargada de 401 estudantes universitários com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos, a investigação concluiu de forma inequívoca que os(as) estudantes que realizavam ações de voluntariado revelavam índices de satisfação com a vida significativamente mais elevados do que os seus pares não voluntários(as). No entanto, para que estes benefícios psicológicos e sociais se materializem, é indispensável que a experiência de voluntariado seja estruturada, segura e dotada de objetivos claros. A mera "vontade de ajudar" necessita de enquadramento técnico. Perante uma tendência histórica de decréscimo na participação geral da população (conforme evidenciado pelo Inquérito ao Trabalho Voluntário de 2018), as organizações em Portugal têm vindo a aumentar de forma expressiva a sua consciência crítica sobre a necessidade de profissionalizar a gestão de equipas. Prova disso é que, segundo dados do estudo promovido pela CASES sobre o Universo do Voluntariado em Portugal, cerca de 2/3 das OPV inquiridas já integram formalmente a figura de um(a) coordenador(a) ou gestor(a). É neste contexto que surge a formação como fator chave não só no desenvolvimento destas competências de coordenação e gestão de voluntariado, mas também na formação inicial de voluntários(as), cada vez mais relevante para uma maior consciência e desenvolvimento crítico dos(as) voluntários(as) na prática das ações onde estarão afetos, mas ainda para a sensibilização para a consciencialização e incentivo para a prática do voluntariado e participação ativa de todos de todos os cidadãos e o seu reconhecimento e valorização. A importância da formação inicial e contínua foi desde logo referenciada na Lei de Bases do Voluntariado 71/98 como um direito e dever dos(as) voluntários(as). Ainda no Estudo sobre o universo do voluntariado, as OPV auscultadas referem que reconhecem a importância da formação inicial de voluntários(as) e mais de 50% dizem proporcionar este momento aos(às) voluntários(as). Inclusive a literatura em específico sobre a formação e capacitação no voluntariado indica que esta a acorrer está diretamente relacionada com diversos fatores positivos na ação de voluntariado (Evidence-based volunteer management: a review of the literature. Einolf, 2018):
No cumprimento das suas atribuições, a CASES dinamiza de forma contínua ações de informação, sensibilização e formação em estreita articulação com as redes locais. Estas ações assentam em metodologias de educação não-formal (aprendizagem pela prática, dinâmicas de grupo e cooperação direta) e abordam obrigatoriamente os conceitos basilares da Lei 71/98, detalhando minuciosamente os direitos, os deveres e os limites éticos e operacionais da atuação cívica.
Os indicadores agregados até maio de 2025 atestam a escala desta aposta formativa: foram realizadas 222 ações de formação, que contaram com a participação ativa de cerca de 4.874 pessoas e envolveram diretamente 350 organizações do setor. Os temas abordados nestas sessões variavam consoante o público-alvo, mas existe sempre uma estrutura central e comum: o da abordagem e sensibilização da Lei 71/98, nomeadamente os conceitos de voluntariado, voluntário e direitos e deveres dos voluntários. Entre os desafios de recrutamento, acolhimento, retenção ou estruturação de novas ações de voluntariado para responder a novos problemas, a formação afigura-se como um elemento-chave estratégico tanto para as OPV como para a qualidade da experiência de voluntariado dos(as) voluntários(as). O impacto humano destas iniciativas reflete-se no testemunho real de voluntárias como a Rita (nome fictício), que partilhou numa ação inicial promovida em parceria com um Banco Local de Voluntariado (BLV): "A prática de voluntariado deu-me a oportunidade de me manter ativa e inserida socialmente". O testemunho de Rita afigura-se como uma das muitas motivações para a prática do voluntariado que levam atualmente cerca de 700 000 voluntários(as) a nível nacional (Inquérito ao trabalho voluntário 2018) a disponibilizarem o seu tempo livre em prol da resolução de problemas da sua comunidade, com o objetivo de criarem um impacto positivo e uma mudança. No final a voluntária Rita estava preparada para iniciar uma nova ação de voluntariado, consciente dos seus direitos e deveres e dos seus próprios limites enquanto voluntária. Dizia que estava “pronta para ajudar”. Até porque no voluntariado tudo começa com a vontade de ajudar e a disponibilidade de ouvir, aos outros e a nós. 4. GOVERNAÇÃO DE PROXIMIDADE E MECANISMOS INSTITUCIONAIS DE RECONHECIMENTO Para garantir que as políticas de voluntariado não ficam circunscritas aos grandes centros urbanos, a CASES desenha a sua intervenção com base numa lógica de proximidade e forte articulação territorial. A instituição acompanha e apoia operacionalmente a Rede Nacional de Bancos Locais de Voluntariado (BLV). Esta rede é atualmente composta por 191 Bancos estabelecidos por todo o território, dos quais 94 encontram-se formalmente protocolados com a CASES. Com o intuito de monitorizar o trabalho local, partilhar ferramentas pedagógicas e alinhar estratégias regionais, a CASES já promoveu um total de 277 reuniões e encontros de acompanhamento e articulação com estas estruturas municipais. A par do apoio no terreno, a CASES compreendeu que a sustentabilidade do voluntariado a longo prazo exige a valorização pública e o reconhecimento institucional das melhores práticas de gestão cívica. Para responder a esta necessidade, foram criadas duas distinções de elevado prestígio nacional: O Selo de Qualidade Academia Voluntária Instituído no ano de 2022, este selo foca-se no reconhecimento do papel das instituições de ensino na criação de uma cultura de cidadania nos jovens adultos. Até ao momento, já distinguiu 21 Instituições de Ensino Superior em Portugal que se destacaram pela excelência, segurança e inovação na promoção de programas de voluntariado no seio das suas comunidades académicas. O Galardão Autarquia Voluntária Lançado em 2023, este prémio visa reconhecer e incentivar o papel estruturante do poder local no desenvolvimento de políticas públicas de solidariedade e na facilitação do associativismo de proximidade. O galardão já distinguiu o compromisso ativo de vinte municípios e duas juntas de freguesia de norte a sul do país. 5. JUVENTUDE, INOVAÇÃO DIGITAL NA COMUNICAÇÃO E PROJEÇÃO GLOBAL A CASES elegeu a sensibilização das novas gerações como uma das suas prioridades estratégicas mais críticas, procurando semear uma cultura de cidadania e responsabilidade cívica desde a infância e juventude. No âmbito escolar, a instituição desenvolve projetos estruturados que levam a temática do voluntariado diretamente às salas de aula de norte a sul do país:
No campo da comunicação mediática, a CASES consolidou uma forte presença nos canais digitais e redes sociais, utilizando-os para difundir de forma atrativa oportunidades de voluntariado, linhas de apoio financeiro, notícias do setor e campanhas de sensibilização.
A CASES realiza um trabalho de pesquisa para encontrar oportunidades de Voluntariado que estejam a ser divulgadas por Organizações Promotoras de Voluntariado. Este trabalho acaba por ser desenvolvido de várias formas: através da pesquisa por motor de busca ou mesmo através de participação no terreno em feiras de Voluntariado, entre outras participações, onde encontramos organizações que precisam deste reforço de divulgação. De outras formas, também chegam pedidos de divulgação através do e-mail ou através da Plataforma Portugal Voluntário. Em termos práticos, após contacto da ação a ser divulgada, a mesma é divulgada através de vários meios:
A capacidade de inovação na comunicação digital reflete-se ainda na conceção de plataformas digitais temáticas criadas para responder a marcos temporais específicos:
Semana Nacional do Voluntariado (2025) A CASES concebeu uma plataforma digital dedicada exclusivamente a agregar, mapear e dar visibilidade a iniciativas realizadas em todo o território nacional no âmbito das comemorações do Dia Internacional do Voluntário. Este projeto inovador permitiu reunir sob o mesmo teto digital 92 iniciativas descentralizadas em Portugal Continental e nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. A semana incluiu workshops técnicos, sessões de formação inicial, ações de voluntariado ambiental e social e cerimónias públicas de reconhecimento de voluntários(as). O culminar deste projeto traduziu-se na edição de um Booklet digital detalhado, reunindo dados estatísticos, coberturas fotográficas e testemunhos reais dos impactos gerados. Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável (2026) Na sequência da Resolução da Organização das Nações Unidas que declarou 2026 como o ano dedicado a este tema, a CASES desenvolveu e lançou uma nova plataforma digital especializada. Este ecossistema visa divulgar ações sustentáveis em todo o país, promover os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU e disponibilizar conteúdos técnicos de enquadramento. O portal inova ao permitir a organização geográfica das iniciativas por distrito e através de uma agenda mensal interativa, facilitando a inscrição dos cidadãos e integrando formulários digitais simplificados para que as entidades possam submeter as suas próprias atividades e obter chancela institucional. A eficácia desta estratégia de comunicação integrada e humanizada colhe os seus maiores frutos nos resultados práticos partilhados pelas próprias organizações beneficiárias. Em 2024, uma instituição localizada na região do Tâmega e Sousa — cujo objeto social é o combate ao isolamento e solidão da população idosa através do acompanhamento por chamadas telefónicas — endereçou um agradecimento formal à CASES. A divulgação da sua causa nos canais digitais e nas newsletters segmentadas da CASES gerou, de forma quase imediata, o interesse e a inscrição de cerca de 500 novos(as) voluntários(as), transformando radicalmente a capacidade de atendimento e a escala de impacto social daquela organização. Por fim, a ambição da CASES projeta-se também além-fronteiras, assegurando uma representação ativa de Portugal no plano internacional. A instituição participa em redes europeias e globais de referência na gestão e formulação de políticas públicas de solidariedade, com destaque para o CEV (Centro Europeu para o Voluntariado), a IAVE (International Association for Volunteer Effort) e a rede Volonteurope. Esta presença regular confere a Portugal a capacidade de acompanhar de perto as tendências legislativas internacionais, estabelecer parcerias de cooperação transfronteiriça e colher inspiração para o contínuo desenvolvimento de políticas de voluntariado nacionais crescentemente inclusivas, modernas e inovadoras. CONCLUSÃO O panorama do voluntariado em Portugal atravessa uma fase inequívoca de crescimento estruturado, modernização tecnológica e qualificação técnica. Ao longo dos últimos oito anos, a CASES desempenhou um papel catalisador indispensável ao transformar uma atividade outrora dispersa e desregulada num ecossistema mais robusto, mais transparente, mais seguro e socialmente mais reconhecido. Através da arquitetura inovadora da Plataforma Portugal Voluntário, da governação territorial de proximidade em rede com os municípios, da forte aposta na formação e de campanhas de comunicação digital estratégicas, criaram-se as condições necessárias para que o voluntariado seja plenamente vivenciado como um instrumento maior de cidadania ativa, coesão social e aprofundamento democrático. Numa época marcada por transformações digitais profundas e por desafios sociais complexos à escala global, comunicar as causas com eficácia tornou-se uma missão tão vital quanto o próprio ato de agir no terreno. É precisamente nesta intersecção virtuosa entre a participação cívica consciente, a inovação tecnológica e a proximidade humana que reside a sustentabilidade e a força do voluntariado do futuro. Afinal, capacitar o voluntariado é robustecer as organizações; robustecer as organizações é fortalecer as comunidades; e fortalecer as comunidades é o único caminho possível para a construção de uma sociedade estruturalmente mais humana, inclusiva e solidária. Em oito anos, a CASES contribuiu decisivamente para transformar o voluntariado em Portugal, criando condições para uma prática mais estruturada, segura, reconhecida e sustentável.
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